Em uma vitrine vazia
Na espera de enfeite
Eu, manequim, ali jazia
Inerte e sem quem respeite.
Muito sonho agasalhava
de ser vestida à rigor
Com finas peças de seda
que me dessem esplendor....
Chegou alguém de repente
Me tomando pela mão
Vestiu-me toda de encantos
Dando-me  um bom coração...
Com carinho me dizia
palavras, que deram vida
Uma alma me nascia
Recebi então guarida...
Tenho agora, na vitrine
Alma, ternura emoção...
Porque jamais serei fria
Com você no coração...
Olhe, senhor vitrinista
Suas mãos fizeram bem
Com a alma de artista
Me mostrou o amor que tem.
Desde então, nesta vitrine
Posso sorrir e cantar
Para que todos me vejam
E sintam que sei amar...
Já não mais sou manequim
Numa fria exposição
Tenho alma e sentimento
Ganhei vida e coração...

 


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